Se a vida dos fabricantes e revendedores de automóveis e veículos comerciais não tem andado nada fácil, os do setor de motocicletas podem dar as mãos e também reclamar da sorte. De janeiro a junho, segundo a Abraciclo, Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares, o chamado mercado de duas rodas chegou a apenas 469, 6 mil unidades, 26,8% a menos do que em igual período do ano passado, quando foram negociadas 641,7 mil motocicletas.
Diante desse resultado a entidade tratou de rever suas projeções para 2016. Depois de estimar, em janeiro, crescimento da produção da ordem de 2,5%, para quase 1,3 milhão de motocicletas, a entidade agora espera queda de 13,7%, com as linhas de montagem despejando não mais do que 1,1 mil unidades nas revendas até dezembro.
Marcos Fermanian, presidente da entidade, espera vendas no atacado de 1 milhão, 14,3% menores – a projeção inicial era de 1,22 milhão – e no varejo, se antes falava em 1,28 milhão, agora projeta 1,020 milhão, 16,7% a menos.
Os números de junho apenas confirmaram que o setor segue tropeçando, sobretudo, na falta de crédito e de confiança do consumidor. No mês foram emplacadas 73.343 motocicletas, 4,3% a menos do que em maio e expressivos 27,5% abaixo do resultado de junho do ano passado.
No atacado o quadro não foi muito diferente: foram negociadas 452,3 mil unidades no primeiro semestre, 31,4% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, embora as 77,5 mil negociadas em junho demonstrem evolução de 23,3% frente ao mesmo mês de 2015. Não deixa de ser um alento e algum sinal de que o fluxo de clientes deve, de fato, aumentar nas revendas nos próximos meses, até para que as projeções da Abraciclo se concretizem.
O único lado azul do setor está mesmo nas contas dos portos. Refletindo a recuperação das vendas em especial do mercado argentino, as exportações superaram 31,1 mil unidades no semestre, um salto de mais de 70% com relação ao registrado nos primeiros seis meses de 2015, período em que foram embarcadas 18,2 mil motocicletas. Somente em junho os embarques chegaram 7,7 mil unidades, crescimento de 36,6% ante aos números de maio e 39,8% na comparação com junho do ano passado.
Com um mercado interno debilitado e que historicamente responde por 90% dos negócios, as linhas de montagem naturalmente seguem em ritmo bem mais lento do que no ano passado.
De janeiro a junho saíram das linhas de montagem 464,4 mil motocicletas, 33,4% a menos do que um ano antes. Só em junho foram fabricadas 81,4 mil, retração de 30,4% sobre junho de 2015.
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